Veja aqui algumas das principais causas de infertilidade masculina.
Alterações do espermograma
Com
o espermograma avalia-se, no sémen ejaculado (por masturbação após 3
dias de abstinência: relação sexual boa, 3 dias sem relações, colheita
na manhã do 4º dia), o volume, o pH, a viscosidade, o tempo de
liquefacção, a concentração, mobilidade, morfologia e resistência dos
espermatozóides, as infecções e a presença de auto-anticorpos.
Causas
das anomalias seminais. As alterações do espermograma podem ser devidas
a causas genéticas (principal causa) ou secundárias (infecções
genitais, álcool, tabaco, drogas, tóxicos ambientais, tóxicos
profissionais, tóxicos alimentares, sobreaquecimento, medicamentos,
sedentarismo).
O tempo de abstinência (2-5 dias)
serve para acumular uma grande quantidade de espermatozóides no canal
excretor que se localiza a seguir ao testículo (epidídimo), e que
funciona como reservatório dos espermatozóides até à ejaculação. Essa
quantidade é a essencial para se poderem efectuar todos os testes
necessários.
O volume médio normal do sémen é de
2-5 mL. A hipospermia (diminuição do volume do sémen) e a hiperspermia
(aumento do volume do sémen) indicam um número reduzido ou ausência de
espermatozóides.
Um pH ácido indica infecção pelo bacilo da tuberculose ou ausência congénita dos canais excretores.
A viscosidade aumentada e o aumento do tempo de liquefação (> 30 minutos) é indicação para análise genética do gene CFTR.
A
concentração normal de espermatozóides é de ≥20 milhões/mL
(oligozoospermia: diminuição da concentração dos espermatozóides;
azoospermia: ausência de espermatozóides).
A
mobilidade dos espermatozóides é variável, mas os fecundantes têm de
apresentar uma mobilidade progressiva rápida de ≥25% do total
(astenozoospermia: diminuição da mobilidade progressiva rápida dos
espermatozóides; necrozoospermia: imobilidade total por morte dos
espermatozóides).
A morfologia normal dos
espermatozóides deve ser ≥15% (teratozoospermia: diminuição do número de
espermatozóides morfologicamente normais).
A
resistência da membrana (mede a capacidade da mobilidade durante os 1-2
dias necessários no trajecto desde o canal vaginal até encontrar e
fecundar o ovócito na extremidade distal da trompa) é calculada pela
vitalidade e pelo teste hipo-osmótico, que devem ser ≥60%.
A
presença de células germinais imaturas indica descamação do epitélio
germinal. Ocorre geralmente nas infecções ou na diminuição da qualidade e
número dos espermatozóides.
A aglutinação de espermatozóides indica a presença de anticorpos anti-espermatozóide.
A
presença de leucócitos, bactérias, fungos ou protozoários indica
infecção. Obriga a espermocultura para identificação dos
micro-organismos e posterior tratamento.
Criptorquidia
Situação
congénita muito frequente em Portugal e caracterizada pela descida
incompleta dos testículos para o escroto, ficando na região abdominal ou
no canal inguinal. Causa azoospermia secretora. No caso de posição do
testículo na região inguinal, a criptorquidia pode e deve ser corrigida
cirurgicamente (orquidopexia: reposição do testículo na bolsa escrotal)
até aos 2 anos de vida. No caso do testículo se encontrar na cavidade
abdominal (por não se palpar na região inguinal), deve ser feito TAC ou
RMN para saber onde se localiza. Uma vez localizado, a criança deve ser
operada porque o testículo intra-abdominal degenera ou transforma-se
numa neoplasia maligna. Se o exame não permitir visualizar o testículo
na cavidade abdominal, então trata-se de uma ausência congénita do
testículo (anorquidia), o que obriga a tratamento hormonal virilizante.
Anomalias endócrinas
Toda
a criança de sexo masculino com anorquidia, criptorquidia, diminuição
do volume testicular, atraso de crescimento ou atraso das
características sexuais secundárias próprias da puberdade (pilosidade,
voz, pénis) deve ser estudada em termos endocrinológicos. Os défices do
desenvolvimento sexual tratam-se com testosterona e a estimulação da
produção de espermatozóides faz-se com FSH e LH.
Anomalias do cariótipo
A
alteração do número ou da estrutura dos cromossomas pode causar
azoospermia secretora ou perda da qualidade do sémen. As anomalias nos
espermatozóides podem causar incapacidade de fecundação, paragem do
desenvolvimento embrionário, perda da qualidade embrionária, falhas da
implantação, abortamentos de repetição ou fetos com anomalias
estruturais. Um caso particular é o síndrome de Klinefelter (47,XXY),
com estatura elevada e hipogonadismo.
Ejaculação retrógrada
Nos
operados à próstata, o sémen durante a ejaculação pode refluir para a
bexiga urinária em vez de ser expelido para o exterior através da
uretra.
Anejaculação
As
lesões da medula espinhal ou dos nervos pélvicos, as doenças
vasculares, determinadas medicações e distúrbios psicológicos podem
causar ausência de erecção e/ou de ejaculação (anejaculação). São
relativamente frequentes nos casos das lesões vertebro-medulares,
traumáticas (quedas, acidentes de viação, agressões) ou por tumores da
medula espinhal, que geralmente se acompanham de paraplegia. Também são
frequentes nos casos das lesões dos nervos pélvicos secundários à
cirurgia oncológica abdominal ou às doenças neurodegenerativas. São
também frequentes nas doenças que obstruem os vasos sanguíneos, como a
diabetes, as doenças cardiovasculares e os acidentes cerebrovasculares.
Em casos mais raros, a anejaculação é de causa psíquica.
Azoospermia obstrutiva
Deve-se
a uma obstrução ou a ausência congénita dos canais genitais excretores
(epidídimo, canal deferente). Nos casos de causa genética, os pacientes
devem efectuar ecografia renal (existem casos associados a malformações
dos rins), ecografia pélvica (para verificar se existem malformações das
vesículas seminais ou malformações/obstrução dos canais ejaculadores),
bem como um estudo das mutações genéticas do gene CFTR (inclusive da
esposa se o marido tiver mutações do CFTR). Pode também se devida a
vasectomia (método contraceptivo masculino: laqueação dos canais
deferentes). Mais frequentemente, é secundária a infecções genitais
(tuberculose; doenças de transmissão sexual: sífilis, gonorreia,
clamidea, micoplasma, micoses, HPV, herpes genital), a cirurgia escrotal
(hidrocelo, varicocelo, remoção de quistos de epidídimo, exérese de
tumores testiculares, tentativa de recanalização dos canais excretores
por anomalias da junção entre o epidídimo e o canal deferente ou por
obstrução inflamatória do epidídimo; tentativa de recanalização do canal
deferente após vasectomia) e a cirurgia de correcção de hérnia inguinal
(herniorrafia).
Azoospermia secretora
Esta
doença tem múltiplas causas, genéticas e secundárias. O paciente
apresenta azoospermia porque o testículo não produz espermatozóides ou
produz espermatozóides em número insuficiente. Pode ser devida a
criptorquidia, anomalias do cariótipo, mutações genéticas do cromossoma
Y, distúrbios endócrinos, infecção testicular (papeira), exposição a
tóxicos ambientais e profissionais, ou a QT/RT.
Causa desconhecida (idiopática)
Cerca
de 10% dos casos de infertilidade parecem apresentar todo o sistema
genital sem problemas, mas mesmo assim são inférteis. Em muitos casos,
existem anomalias moleculares dos espermatozóides, para os quais não
existem testes de detecção. Frequentemente, estes só se descobrem
durante a fecundação in vitro, momento em que se podem observar os
ovócitos, a fecundação e o desenvolvimento embrionário. As causas mais
frequentes são a incapacidade de ligação ou de penetração dos
revestimentos externos do ovócito, a incapacidade de fusão com o ovócito
ou de o activar após a fusão. As anomalias nos espermatozóides podem
causar incapacidade de fecundação, paragem do desenvolvimento
embrionário, perda da qualidade embrionária, falhas da implantação,
abortamentos de repetição ou fetos com anomalias estruturais.
Lesões do escroto
Hidrocelo. Acumulação congénita de líquido no escroto. Causa diminuição da qualidade do sémen.
Varicocelo. Varizes do escroto. Causa diminuição da qualidade do sémen.
Quistos do epidídimo. Podem ser congénitos ou secundários a infecções. Podem causar azoospermia obstrutiva.
Torção testicular. Acidental. Pode levar à remoção cirúrgica do testículo (orquidectomia).
Traumatismos escrotais. Podem causar azoospermia secretora.
Tumores malignos
Os
tumores malignos obrigam frequentemente à remoção cirúrgica do órgão, a
quimioterapia (QT) e a radioterapia (RT). Quer a QT, quer a RT (se for
pélvica), são agentes esterilizantes dos testículos. No caso dos tumores
malignos atingirem os órgãos genitais, pode haver necessidade de
remoção cirúrgica do testículo (orquidectomia).
Anomalias anatómicas
Alteração
da morfologia dos genitais externos: intersexo. Alterações do tamanho e
forma do pénis (micropénis), ou da localização do meato urinário
(hipospádias; epispádias). Alterações do tamanho e localização dos
testículos (hipotrofia: diminuição moderada do volume; atrofia:
diminuição marcada do volume; criptorquidia; anorquidia: ausência
congénita do testículo).
O casal com problemas de infertilidade
deve consultar um especialista de Reprodução Medicamente Assistida
(RMA), quer nas consultas de infertilidade dos hospitais públicos, quer
nas clínicas privadas dessa especialidade.

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